Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Croché das coisas...
(Bernardo Soares, Livro do desassossego)
Petit-déjeuner à trois
Bonsoir, dit-elle, est-ce libre?
Bonjour, dit le vieil homme,
Oui ces deux, à cette table sont encore libre.
Elle sourit et prend place.
Voulez vous déjeuner avec moi?
À trois le plaisir est bien plus grand.
Mais ce pas trop tard pour déjeuner?
Et pourquoi à trois?
Ce n'est jamais trop tard,
Mademoiselle, trois petits déjeuner s'íl vous plait.
La nuit tombe, le jour passe...
Ou bien est-ce la nuit qui passe et le jour qui se lève?
Nuit et jour en même temp
Le soleil montre le temps, pourtant le soleil n'a pas de temps.
Elle prend deux morceaux de sucre, un coeur, un dé.
Comment prenez-vous votre café?
Avec du lait, sans sucre
Dans ma vie il y a que des douceurs
Je la porte dans mon coeur et aus creux de mes mains,
Ainsi la chance me sourit toujours aux dés
Puisque sept précède le quatre.
Elle voulait être libre.
Mais qui peut apercevoir les étoiles le jour,
Le soleil brille toujours pour celui qui sait le voir!
Etes-vous un joueur?
Oui je le toujours étais, car la vie est mon jeu.
Il déjeune le soir, son jeu est la vie, rare mais charmant.
Avez-vous déjà gagné? Demand t-elle.
Depuis que je sais qui joue avec qui et que demain, aujourd'hui c'est hier, oui!
Dans ce jeu il n'y a que des gagnants.
Un jeu sans perdants,
Tout est emprunté, a qui?
A celui qui laisse les fleurs s'épanouir.
Est-ce que le café est bon? Demande t-il.
Oui, mais pourquoi parliez-vous de petit-déjeuner à trois?
Nous ne sommes que deux à cette table.
Deux couleurs nous guident, le noir et le blanc.
Le blanc serait-il le bon et le noir le mauvais?
Ou bien... le noir le bon et le blanc le mauvais?
Les deux sont justes ou bien aucun des deux.
Bon, vous ne voyez que nous deux, car vous n'avez que deux yeux jusqu'à présent, dit-il.
Mais oui c'est tout à fait normal!
La terre est plate,
La terre est le centre de l'universe,
L'homme est le couronnement de la création.
Est ce normal?
Les jeux sont faits, rien ne va plus, la roue se met à tourner...
(Une table à trois, Zen Men)
Discurso sobre o absurdo
À procura de eventos que me pudessem eventualmente interessar, surgiu-me a video-instalação "Pata-lugares" de Né Barros. Uma instalação criada a partir das conferências "Patafísica" organizadas pela ESAP curso de artes plásticas (bla... bla... bla...).
Patafísica... uma palavra que imediatamente soou a algo cómico no meu cérebro. Estes artistas têm mesmo a mania, pensei eu... lá queriam dar um nome engraçado e criativo às conferências e puf... fez-se a patafísica! Fui procurar informação sobre as ditas... E não é que a primeira coisa que aparece no google é um artigo da wikipédia a dizer que a patafísica ah e tal ciência, ah e tal das soluções imaginárias, ah e tal do absurdo... Fiquei perplexa!!! Afinal existe e até é um género de corrente artística!!! Santa ignorância!
Cheia de curiosidade, desafiei uma amiga, também dada a estas coisas do absurdo e fomos ver. Ficou um bocadinho aquém das expectativas... Mas inspiradas pelo minimalismo do absurdo no vídeo, ou não, deu-nos para dissertar, na viagem de regresso, sobre os "guizos" das aves e tentar fazer toda uma retrospectiva da cópula, entre outros, dos patos. Foi um pato-diálogo, num pato-lugar, que bem poderia ter acabado numa pato-instalação.
Cheiro a memórias desbotadas
Fui à vandoma. À chegada, um mar de gente. Vende-se de tudo... Chaves sem fechadura, televisões possivelmente avariadas, bonecos esfarrapados, giradiscos, telefones do tempo do bisavô, máquinas fotográficas do tempo do daguerre, pechisbeques e muitas coisas que entrariam na categoria dos inclassificáveis. Uma gigantesca montra de matéria prima para artistas!
E eis que no meio de verdadeiras relíquias, cheiro a velho, pó e regateios surge o mítico som dos anos 80. Lembrei-me imediatamente dos pitufos e daquele pátio nas traseiras onde levávamos os baloiços ao limite, fazíamos clubes manhosos e onde fizemos a festa da lambada!! No tempo em que ser criança era uma aventura!
E eis que no meio de verdadeiras relíquias, cheiro a velho, pó e regateios surge o mítico som dos anos 80. Lembrei-me imediatamente dos pitufos e daquele pátio nas traseiras onde levávamos os baloiços ao limite, fazíamos clubes manhosos e onde fizemos a festa da lambada!! No tempo em que ser criança era uma aventura!
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