Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Croché das coisas...
(Bernardo Soares, Livro do desassossego)


Himalaias...IV

Os cinco nas montanhas!




Ainda bem que voltaste




A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste
A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti e disse baixinho "olá"
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"
(A noite passada, Sérgio Godinho)

Himalaias...III

- Taj Mahal?

- Com uma tossezita!

Himalaias...II

Vai pó caril!

Vou tentar...

"Ama-me quando eu menos merecer,
pois é quando eu mais preciso".
(Provérbio chinês)

Himalaias

Borba lá!

Quero um buraco só para mim!


Há dias em que corre um vento de conspiração. O sol apresenta-se traiçoeiro. Os pensamentos mordem pela calada da noite. O estômago contorce-se, esmaga-se o peito, as pernas hesitam. O corpo prestes a ruir. Há dias em que só me apetece enfiar-me num buraco! E hoje foi um dia desses!!!!

Despertar...

Quando me inscrevi nas aulas de piano, estava, pensei eu, a comprar uns bons momento de lazer e de relaxamento. Pois enganei-me... redondamente! Não fiz mais do que acordar o monstro. O monstro adormecido já lá vão mais de 10 anos.

Comprei inquietude! Se, pelo menos, o meu piano chegasse de uma vez por todas... talvez me passasse esta compulsividade, esta enorme vontade de tocar, tocar, tocar... talvez eu não tivesse de tomar decisões que não quero e das quais me posso vir a arrepender.... talvez pudesse constatar que é possível conjugar as sobras de uma fase da vida que termina com os sonhos da que dá os primeiros passos.


Apetece-me só ser... Terei coragem?!