Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Croché das coisas...
(Bernardo Soares, Livro do desassossego)


Corticóide, precisa-se!

Quem conta um conto acrescenta um ponto, diz o ditado português... e diz muito bem! Mas também há aqueles que a um ponto acrescentam um conto, numa confabulação mirabolante de factos. Devo dizer que nada tenho contra as confabulações, muito pelo contrário; até me causam algum entusiasmo mental, quando dão mostras de expressão criativa e liberdade de processos cognitivos.
Depois há os que a alhos respondem com bugalhos, não se percebendo se pela ausência de compreensão dos conceitos ou se pela incompreensão da ausência de relação entre eles. Mais uma vez, nada tenho a apontar aos alhos e aos bugalhos, se estivermos numa tentativa de explorar conceitos e relações pouco convencionais e, às vezes, um tanto absurdas. Até me atreveria a dizer que é preciso quem o faça.
O que me causa algum prurido mental é a associação de confabulações, alhos e bugalhos, tudo na mesma cabeça e ao mesmo tempo, para dar resposta a problemas reais e bem concretos. Ter de conviver diariamente com esta anomia e esta desconexão neuronal causa-me uma comichão incontrolável.
Até onde irá a irresponsabilidade e a condescendência?!!

acigàm alenaj

(California Zephir, 2007)

Ser ou não ser

(Chicago, 2007)

Because...


Yellow Bunny seguiu o seu caminho!



You know why!

Coincidências encantadoras

O papel estava na porta do frigorífico! Acrescentámos mais duas ou três ideias e voltou para o sítio onde esteve dois anos, talvez menos um bocadinho. Desta vez, com um toque de olhar, comprometemo-nos a criar as condições para as pôr em prática.

O engraçado é que recordei o projecto, assim de repente... E a ideia entusiasmou-me. O engraçado é que nos encontrámos, por coincidência, depois de um ano sem contacto! O engraçado é que eu nem me lembrava da existência do papel onde rascunhámos meia dúzia de pensamentos. O surpreendente é que ela guardou o papel e o pendurou na porta do frigorífico, onde ficou dois anos à minha espera!

A sintonia com que nos deparámos, naquele momento, foi deliciosa! E foi como se ela sempre soubesse que este momento acabaria por chegar.

10


Mas juro que não hei-de ser infeliz

PORQUE NÃO QUERO


(As aventuras de João sem Medo, José Gomes Ferreira)