Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Croché das coisas...
(Bernardo Soares, Livro do desassossego)


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Mas juro que não hei-de ser infeliz

PORQUE NÃO QUERO


(As aventuras de João sem Medo, José Gomes Ferreira)

Feeling weird?

Have no fear of perfection, you'll never reach it

(Salvador Dali)

Chocolatoterapia

(Foto tirada num dos muitos festivais de chocolate de Óbidos)

Fly like a bird

Apenas com um violino e uns pedais que controlam gravações e reproduções, este senhor faz esta maravilha. Diz, quem já viu ao vivo, que é fantástico!

Faz-me cócegas!

Eins
Zwei
Drei
Vier
Fünf
Sechs
Sieben
Acht
Neun
Zehn

Fascinante!

Vinha no carro a ouvir Petra Haden e deu-me uma enorme vontade de cantar. Nada me impediu, nem mesmo um sentimento de vergonha, já que eu própria era a minha única companhia. Comecei a trautear, a fazer as entoações e as variações. Para uma leiga na arte do canto até nem me saí nada mal!

De repente, dei comigo a pensar... Como é que o meu cérebro sabe como distender e relaxar as minhas cordas vocais, em que posição as colocar exactamente para que, ao passar o ar, vibrem e produzam aquele tom e só aquele; para depois, muito repentinamente, mudar para outro e para outro e para outro.

Tentei imaginar o trajecto neuronal para que isto acontecesse, as milhares de sinapses envolvidas. Será que o meu cérebro evocou "representações disposicionais" (vulgarmente conhecidas por memória), que foi armazenando ao longo dos tempos, enquanto ouvia música? Ou será que, antes pelo contrário, se limitou a reproduzir com algum grau de semelhança, a pedido de uma outra parte do meu cérebro, a informação que estava nesse mesmo momento a chegar aos córtices sensoriais iniciais (basicamente, aquilo que primeiro processa a informação vinda do exterior)? Será que não fez nada disto ou será fez uma mistura de ambos e por isso é que eu acho que até nem me saí nada mal? É que, para dizer a verdade, eu já conhecia a música, já a tinha ouvido várias vezes. Mas se, neste preciso momento, a tentar trautear de novo, enquanto não a ouço, não sai nada que seja sequer parecido!

Fosse qual fosse o processo, não deixa de ser fascinante imaginar os quilómetros de axónios que foram accionados e a rapidez com que deram resposta. Imaginar o tumulto que aqui vai quando recebemos informação, quando a modificamos ao longo dos nosso próprios circuitos neuronais e a damos de volta ao mundo exterior. Uma informação que pode, à partida não parecer diferente, mas que já foi sujeita a trajectos e a processos muito próprios de cada um. E é fascinante como a única coisa que foi consciente em todo o processo foi a vontade de cantar.

Deliciem-se a entoar!


Ainda me lembro bem de ouvir os sitiados, lá nos inícios da minha adolescência, a cantar a "vida de marinheiro" ou o "vamos ao circo". Ainda me lembro de cantar vezes sem conta, de correr e saltar ao seu som. Ainda me lembro bem da cara do vocalista do grupo, uma figura, penso, marcante. Apesar de não ser grande fã do seu trabalho, não estando sequer ciente do que tinha desenvolvido depois dos sitiados, foi com grande tristeza que o recordei hoje. Foi, na verdade, um grande choque saber da sua morte. É sempre um choque quando alguém morre tão jovem...

Aqui fica a recordação, para todos os que saltaram ao som disto.